Rio Grande do Sul tem uma cena musical sempre efervescente, e é sempre fácil achar algum artista de talento e personalidade por aquelas bandas. Emerson Dent é um desses artistas autorais que colocam sua alma e sua experiência e suas músicas. Misturando rock sessentista com folk, blues, tropicália e psicodelia, o músico dá vasão à sua "poesia pop sanguínea" em seu primeiro disco solo, Cenas do Próximo Capítulo (2014).
Natural de Alegrete, Dent integrou a banda Suco Mau no fim dos anos 1990, com a qual lançou dois discos. Depois disso, participou das bandas Brim Curinga e Musical Panorama, e o projeto Cigarro Elétrico, com o qual participou da Virada Cultural de São Paulo.
Em 2011, o músico começou a produção de seu primeiro disco solo que faz parte de uma trilogia que deve ser continuada no próximo ano. Com uma pegada folk e um refrão altamente cantarolável, "Natália" dá boas vindas ao ouvinte e abre o trabalho com um clima divertido e ameno. "Kiss Me Baby" mantém a vibe e abre espaço para o blues que dá título ao disco. "E quando tudo parecer te fazer sofrer, sorria", canta Dent com a voz rasgada em "Cenas do Próximo Capítulo", que remonta os anos 1960.
O clima retrô permanece em "Junto ao Fogo" e "Sobre Emprego", que tem um arranjo divertido, com elementos circenses e algumas referências aos garotos de Liverpool. "Pra Valer" tem uma pegada mais romântica, porém ressentida, em tom de despedida. E aí vem o clima de bar de beira de estrada na boa "Não Vou".
As referências de música brasileira aparecem em "Ainda Mais Louco", que tem percussão e um arranjo que, se mais pesado, poderia ter sido gravado por alguma banda brasileira dos anos 1980. "Ontem" também é uma das melhores do disco, com uma melodia mais pop e bem feita. E aí voltamos às décadas passadas com "Nem Tudo Está Perdido". "Faz de Conta"já se aproxima da bossa nova, mas sem se descontextualizar do resto do disco.
Com letra irônica e debochada, "Como Manda o Figurino" encerra o álbum como começou, sujo, retrô e com um nível altíssimo. Com produção de Egisto Dal Santo - do clássico A Sétima Efervescência, do Júpiter Mação - e um projeto gráfico super interessante assinado por Rafael Cony, o disco é um trabalho bem cuidado e com uma estética sonora bem pensada e bem elaborada. Melhor que isso, só se fosse em vinil. E que venham os próximos capítulos.

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